Tema do congresso

Figuras da diferença e o dispositivo psicanalítico de grupo

O mundo globalizado/atual caracteriza-se por uma intensificação das transformações culturais, sociais, econômicas, tecnológicas, geopolíticas entre outras. Paradoxalmente, expressa diferentes formas de enrijecimento, especialmente das relações sociais, em conexão com a ameaça representada pelo encontro com o estrangeiro. Isso tem tido como efeito a manifestação de excessiva intolerância; a tentativa de apagamento das diferenças, de um lado, ou transformações criativas e enriquecedoras nas diferentes culturas, de outro. Temos assistido uma polarização dos discursos sociais e políticos no nível nacional e mundial. As redes sociais virtuais têm facilitado o encontro de opiniões convergentes e o ataque virulento ao que é percebido como diferente.

Sabemos, todavia, que a diferença está no coração do psiquismo e das trocas intersubjetivas. O pensamento sobre a diferença percorre a obra psicanalítica e tem conduzido a um exigente trabalho de reflexão sobre os valores da diferença na constituição da realidade psíquica. A problemática do narcisismo e da alteridade abrange dimensões fundamentais da questão que se declina ainda por outras vias. Sublinhamos as diferenças entre o humano e o não humano, entre os sexos, e gerações e entre culturas, conjunto de diferenças cujos valores dariam acesso à estruturação psíquica.

Como se articulam estas questões do macrocontexto social e a problemática da diferença em psicanálise em nosso trabalho com grupos, casais, famílias e instituições? Certamente os efeitos do contexto social atravessam nossas práticas, mas também as solicitam para o constante trabalho da cultura, tão demandado neste momento de nossa civilização. Além do mais, que vias se abrem, no contexto atual, para enriquecer nossa compreensão da diferença no campo da psicanálise? Diferença como problemática teórica para a psicanálise, mas também em termos da pluralidade de perspectivas teóricas e práticas do nosso campo, como exemplificado pelos próprios dispositivos de grupo e teorias que os subsidiam.

Tendo como base essas questões, propomos um Colóquio Internacional – que permita ampliar a reflexão sobre o estatuto da diferença e suas manifestações nos vínculos e implicações para os dispositivos psicanalíticos de grupo.

Este evento faz parte de uma rede de trocas estabelecida entre universidades a partir do pioneirismo da Université Lumière Lyon 2 e que hoje congrega importantes instituições europeias e latino americanas. A rede “grupos e vínculos intersubjetivos” busca consolidar um espaço científico, político e institucional no qual os temas sobre grupos e instituições possam ser retomados e legitimados dentro do pensamento psicanalítico.